16 de dezembro de 2005
Cineclube de Viseu, 50 Anos
Faz hoje 50 anos, o Cineclube de Viseu exibia a sua primeira sessão cinematográfica, no Cine Rossio, com o filme Passaporte para o Paraíso (Passport to Pimlico, 1949), de Henry Cornelius. A exibição deste filme seria precedida por umas palavras de apresentação, por uma palestra por Júlio Sacadura, então presidente do Clube de Cinema de Coimbra, e pela exibição de duas curtas-metragens.
Com os nossos parabéns, pelo seu 50.º Aniversário, junto publicamos o texto com que o Cineclube de Viseu iniciava o programa da sessão.
Esclarecendo…
No Limiar da actividade do «Cine Clube de Viseu» impõe-se definir posições e objectivos e traçar as linhas gerais do programa a executar.
Antes de mais é uma obrigação agradecer a confiança que os Srs. Associados nos testemunharam com a sua espontânea adesão, tornando possível dar corpo e alma aos nossos anseios,
Um «Cine Clube» é, essencialmente, uma associação que visa o estudo do Cinema nos seus múltiplos aspectos. Esta, a finalidade que presidirá ao critério da escolha dos filmes a exibir
O nosso campo de selecção está, no entanto, limitado por contingências de variadíssimas ordens, entre as quais destacaremos a impossibilidade das casas distribuidoras poderem dispor livremente da sua programação, devido a contratos já firmados, e as restrições impostas pelas empresas distribuidoras na defesa dos seus interesses legítimos. Aliás, não é missão dos «Cine Clubes» fazer concorrência aos exibi dores, mas trabalhar de comum acordo para a elevação do nível artístico das sessões cinematográficas
Ressalvadas estas premissas, estamos animados pela melhor das vontades de produzir trabalho limpo, de proporcionar a exibição de uma lista de obras do maior recorte artístico e cultural. Para já, e devido à inestimável gentileza do British Council e da Shell Portuguesa ao ceder-nos as suas reputadas filmotecas, amabilidade que nunca é demais encarecer, podemos dispor de uma massa de documentários de grande valor, propiciadora de um alargamento considerável da nossa actividade.
Ao programa primitivo, preenchido com as sessões quinzenais em 35 mm no «Cine Rossio», contamos poder acrescentar a organização de matinées infantis e soirées com documentários e filmes em 16 mm A realização destas sessões extras está dependente do arranjo e cedência de um recinto adequado, diligências essas que estamos a efectuar
As sessões normais começarão com a projecção de uma série de filmes avulsos, entrando depois em ciclos especialmente dedicados ao estudo de escolas e realizadores.
A tarefa a que metemos ombros tornar-se-á difícil e bastante espinhosa se não for tomada no seu verdadeiro e único fim: interessar profundamente a maioria dos indivíduos pelos problemas técnicos e estéticos suscitados pelo Cinema.
O espectador a uma sessão cineclubística não pode ver o filme sob o aspecto superficial, de puro passatempo. Isso representaria a negação do espírito cineclubista,
Ao contrário, deverá procurar apreender as obras apresentadas como um corpo indivisível, em toda a sua extensão, desde o seu valor formal ao seu conteúdo. Para isso, organizaremos programas e as palestras o mais completos possível de análise fílmicas, de notas filmográficas e com a exposição clara dos problemas versados. Resta-nos vincar a utilidade da colaboração de todos os Srs. Associados, pois o «Cine Clube de Viseu» não pode ser obra de meia dúzia, mas uma obra comum em prol de uma arte.
A Comissão Organizadora
Paulo Granja na secção Documentos | Imprimir | Enviar | Comentar (0) | TrackBack (0)
